Janelas do Zeca



Atendendo convite da Andrea, do LEIO O MUNDO ASSIM, vários blogueiros estão participando da blogagem coletiva COISAS DO BRASIL, onde cada um falará a respeito de sua cidade, ou de outra, ou mesmo de sua região, conforme sua escolha. Esta é a minha contribuição.




PARATY / RJ

 



Paraty é uma das mais belas cidades coloniais brasileiras, considerada Patrimônio Histórico Nacional e em vias de ser reconhecida como Patrimônio Histórico da Humanidade. Está encravada num lugar especial do mapa brasileiro, dentro da Serra do Mar, cercada pela Mata Atlântica, entre Angra dos Reis e Ubatuba.

Preserva até hoje seus inúmeros encantos naturais e arquitetônicos e passear por ela faz com que nos sintamos em outra época. Suas ruas pavimentadas com pedras irregulares, mantêm uma espécie de canaleta central para o escoamento das águas das marés que, periodicamente, as invadem, conferindo-lhe o apelido carinhoso de “Veneza Brasileira”. A irregularidade do piso faz necessário o uso de tênis, sandálias ou calçados muito confortáveis para percorrer a cidade com vagar e tranquilidade, apreciando sua arquitetura ímpar.

Suas igrejas e casarões mostram o estilo da época colonial e várias esquinas ostentam símbolos maçônicos nas quinas dos sobrados. No século XVIII a a maioria das casas paratienses era pintada de branco e ostentava suas portas e janelas pintadas em azul-hortência, da Maçonaria Simbólica. Em Portugal temos Óbidos, cidade maçônica também pintada com as mesmas cores.

O arruamento da cidade apresenta esquinas desencontradas, provavelmente para evitar o vento encanado e melhorar a distribuição do sol pelas casas. Toda ela apresenta diversos detalhes maçônicos, tanto em suas construções, detalhes, enfeites e arruamento, mostrando que foi uma cidade construída e planejada por integrantes da maçonaria, muito forte entre nós na época colonial. Falar sobre toda a simbologia maçônica contida no conjunto arquitetônico seria assunto para ser tratado à parte, já que é relativamente extenso.

Todo o centro histórico é cercado com grossas correntes, devido à proibição de tráfego de veículos.

A construção da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade, foi o marco inicial da cidade que tem 1667 como ano de fundação.

Teve grande importância econômica devido aos mais de 250 engenhos de cana-de-açúcar, tendo seu nome como sinônimo de aguardente de boa qualidade, reverenciado até em marchinha carnavalesca. Depois vieram o ouro e as pedras preciosas escoados diretamente das Minas Gerais e que embarcavam para Portugal em seu porto. As constantes investidas de piratas fizeram com que a rota do ouro fosse mudada e a cidade acabou sofrendo grande isolamento econômico a partir de então.

Apenas na segunda metade do século passado, o bom estado de conservação de seu conjunto arquitetônico e as inúmeras belezas naturais da região fizeram com que começasse a transformar-se num pólo turístico nacional e internacional. Hoje a cidade é conhecida no mundo inteiro e durante todo o ano, ouvem-se os mais diversos idiomas em suas ruas.

Em sua área encontram-se o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área de Proteção Ambiental do Cairuçú, onde está a Vila de Trindade, a Reserva da Joatinga, e ainda faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar. Ou seja, é Mata Atlântica por todos os lados.

No centro não existem praias especiais, apenas o cais, hoje adornado por belas embarcações destinadas, em sua maioria, ao turismo e à pesca. Paraty é cercada por belíssimas ilhas, além de praias deliciosas como Paraty-mirim, Trindade, São Gonçalo e outras. A poucos passos do centro histórico temos a tranquilidade da Praia do Pontal e, após vencer o Morro do Forte, encontramos a Praia do Jabaquara, ambas urbanizadas e com quiosques onde se comem deliciosos pratos de frutos do mar e se bebem deliciosas batidas e geladíssimas cervejas.

Se de um lado é cercada pelas praias, do outro tem a proteção da Serra do Mar, com exuberante vegetação, muitos rios e cachoeiras. Os passeios ecológicos fazem parte dos programas prediletos de grande parte dos visitantes. E o clima ameno permite o desenvolvimento de atividades turísticas durante o ano inteiro.

A atual estrada que liga Paraty à cidade de Cunha e ao Vale do Paraíba, fazia parte do antigo Caminho do Ouro, por onde descia o ouro vindo das Minas Gerais e subiam os escravos para lá destinados. Ainda existem, bem conservados, trechos da antiga estrada no meio da mata, que constituem o Sítio Histórico e Ecológico do Caminho do Ouro. Esse caminho foi importante para o escoamento do ouro e escravos (como já foi dito), da cana-de-açúcar da região e, depois, do café do Vale do Paraíba e dos artigos de luxo para os barões do café, até a chegada da estrada de ferro em Barra do Piraí, o que levou a cidade a um novo e longo período de estagnação.

Existem vários eventos locais e turísticos, que também atraem visitantes de todos os lugares. Grupos folclóricos, como os cirandeiros, mantêm as raízes e encantam os visitantes. A Festa do Divino, que neste ano foi comemorada no último dia 10 de maio, é uma das festas de cunho religioso mais importantes do calendário. Outra festa importante é Corpus Christi, com os belíssimos tapetes de serragem colorida, pó de café, folhagens e flores, formando lindos desenhos e por onde passa a procissão, ponto alto da festa.

Em julho acontece a FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), evento cultural e literário que recebe grandes escritores brasileiros e estrangeiros. Já está se tornando tradicional na cidade e conhecida internacionalmente. Agosto é o mês do também tradicional Festival da Pinga, além de outros eventos que ocorrem durante o ano todo.

Existem inúmeras pousadas espalhadas pela cidade e à sua volta, desde as mais simples, até as mais charmosas e sofisticadas. Muitos moradores também abrem suas casas alugando quartos para turistas. Ou a casa inteira. São estabelecimentos para todos os gostos e para todos os bolsos. Os restaurantes também, a maioria espalhados pelas ruas do centro histórico, estão preparados para deliciar os mais exigentes paladares, assim como também os existem para todos os tipos de poder aquisitivo. Existe um centro comercial relativamente bom, com artigos de boa qualidade, espalhado pelo centro em pequenas lojas cheias de charme.

Paraty é também um centro de atração para artistas, especialmente pintores, que por ela se espalham, o que faz com que na maioria de suas ruas topemos com ateliês e galerias de arte. Uma dessas galerias dedica-se a expor e comercializar os trabalhos do artista plástico Aécio Sarti, onde trabalho. Estou cuidando do gerenciamento da galeria e do atelier, bem como do agendamento e supervisão da curadoria de diversas exposições em preparação. Serão exposições no Brasil e no exterior.

Toda essa diversidade e riqueza cultural fazem de Paraty palco para filmes de longa e de curta metragem, novelas, minisséries e casos especiais, videoclipes, peças publicitárias e reportagens ecológicas e de turismo. São produções nacionais e internacionais, proporcionando aos moradores e visitantes andarem lado a lado com artistas e personalidades de todas as partes do mundo.

 

em defesa da infância



Escrito por ozeca às 20h30
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L E M B R E T E S

Atendendo convite da Andrea, do LEIO O MUNDO ASSIM, vários blogueiros estarão participando da blogagem coletiva COISAS DO BRASIL, que acontecerá dia 16 de maio, onde cada um falará a respeito de sua cidade, ou de outra, ou mesmo de sua região, conforme sua escolha. Caso se interesse em participar (ainda dá tempo), é só visitar o blog para saber mais detalhes e avisar de sua participação. O convite foi feito no dia 09 de abril. Se não, basta acessar a lista de participantes e aumentar seus conhecimentos sobre cidades de todo o Brasil. Eu estarei lá, falando da cidade que me acolhe.

 

Outras blogagens coletivas que merecem atenção, e que acontecerão nos próximos dias 18 e 25 de maio, servem como alerta em defesa da infância e contra a erotização infantil. Eu atendí ao sempre gentil convite do Luz de Luma, embora não tenha assumido o compromisso da participação direta, devido à minha programação de viagens que tem andado meio pesada nos últimos dias. Mas estou divulgando, por achar importantíssimo nosso engajamento nessa causa.

A iniciativa partiu do Blog Diga Não à Erotização Infantil e da Comunidade Diga Não à Pedofilia.

18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes 

e

25 de maio é o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas.

Se quiser participar, acesse para obter maiores informações e avisar sua participação. Se puder, também estarei participando.

 

em defesa da infância

 

 



Escrito por ozeca às 15h55
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Ser Mãe 

 

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra 
o coração! Ser mãe é ter no alheio 
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra 
sobre um berço dormindo!  É ser anseio, 
é ser temeridade, é ser receio, 
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, 
espelho em que se mira afortunada, 
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!  
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! 
Ser mãe é padecer num paraíso!

 

Coelho Neto

 



Escrito por ozeca às 15h27
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AMIGOS,

 

Desculpem o sumiço. Tenho andado no meio de um turbilhão com a exposição do pintor que represento, na Villa Riso, no Rio de Janeiro. A inauguração é amanhã, dia 07 e estou coordenando tudo, menos a parte da galeria, que fica por conta da equipe própria.

 

Se alguém tiver interesse em conhecer o trabalho, sinta-se convidado desde já. Amanhã é a data de abertura, e as obras permanecem expostas até 06 de junho.

 

Temos também um blog recém-nascido, que está entrando no ar agora, com todos os trabalhos da exposição e muitos outros. o endereço é: http://aeciosarti.blogspot.com.

 

Logo retomo minhas atividades blogueiras.

 

Carinho,

 

Zeca.

 

Estou felicíssimo hoje ((08/05), pois a abertura da exposição foi um sucesso e agora resta-nos aguardar a colheita dos frutos semeados. Depois, com mais calma, conto melhor como tem sido tudo isso. E ontem, com a exposição, inauguramos também nosso novo site, que ainda deve receber alguns retoques, mas está bem bonitinho. O endereço é: http://www.aeciosarti.com . Dê uma espiadinha pra conhecer um pouquinho do meu trabalho... os quadros são do artista, mas a administração, a organização e a orientação têm o meu dedo.

 

Até!

 

 

 

 

 



Escrito por ozeca às 12h08
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Nas últimas semanas tenho feito algumas pequenas viagens, que têm atrapalhado um pouco as minhas rotinas, prejudicando também a preparação de textos para publicar aqui. Tenho aproveitado alguns momentos de descanso para, em cybercafés, visitar blogues amigos. Mas logo termino essa via sacra e volto à minha tranqüilidade. Por enquanto, para não espaçar muito as atualizações destas janelas, aproveito alguns contos dos quais gosto, para republicá-los. Alguns (poucos) já os leram. Outros ainda não.  

 

 

 

Visões Mitológicas

 

 

 

 

Não resistindo ao chamado de Eurídice, que havia acabado de resgatar do inferno, Orfeu olhou para trás e perdeu-a para sempre. 

 

 

 

 

José vivia sem olhar para trás, para que as dores não se perpetuassem e as feridas cicatrizassem. Não queria perder o que restava do seu amor. Guardava no coração a imagem de Maria, suas noites de amor, seus gemidos de prazer, a maciez do toque de suas mãos, o calor provocado por seu olhar. Sabia que suas vidas haviam evoluído como passos de tango, onde ela se deixara seduzir pelos seus braços potentes, que a dobravam e a desnudavam. Fazendo-a deslizar, pernas unidas, sexos clamando por satisfação, a sensualidade à flor da pele. Suas mãos a tocavam como se seu corpo fosse um instrumento de cordas, delicada e decididamente. Faziam-na vibrar, delirar de prazer como música tocada com o coração. E ele tocou suas vidas assim, como músico boêmio, sedento de prazeres, de emoções.

 

Um dia, não a encontrou à sua espera, à sua disposição.

 

Percorreu como louco, ruas, praças, becos, bares, boates, infernos. Fez de tudo um pouco, sem poupar esforços nessa busca que se perpetuava enquanto o tempo, inexorável, corria frenético. Até que a encontrou. Amasiada a um cafetão, sustentando-o e aos seus vícios todos. Tentou convencê-la, negociou, tentou até mesmo comprá-la, mas de nada adiantou. A cada conversa, a cada acusação ou jura de amor eterno, ouvia que não devia olhar para trás, que devia seguir sua vida e deixá-la se consolando com seus próprios demônios.

 

Resignado, voltou ao seu mundo, à sua vida também repleta de demônios, outros, que não lhe permitiam um sono tranqüilo. Continuava tocando à noite e arrebanhando seguidoras que com ele queriam formar nova dupla de tango. Mas nenhuma lhe servia. Apenas Maria, cujo gosto não conseguia esquecer. Seu cheiro impregnado em seu corpo o perseguia, suas curvas, tantas vezes moldadas por suas mãos não o deixavam em paz. Já não sabia mais a distinção entre convicção e esperança. Sabia apenas que a queria de volta. Vivia no centro de um pesadelo e tentava reinventá-lo, com sua amada em seus braços, entre suas pernas, sob seu corpo. Sabia que apenas sua lembrança a mantinha viva em seu coração.

 

Num clarão luminoso, viu-a descendo delicadamente, vinda diretamente do céu, com asas de anjo. Sentindo-se o mais venturoso dos mortais, sorriu e levantou os braços para ampará-la, apertá-la de encontro ao peito e beijar os lábios tão ansiados e queridos. Quando os seus já sentiam o calor dos lábios de Maria, sentiu uma estocada no peito e acordou na sarjeta, atacado por quatro prostitutas que tentavam assaltá-lo num beco escuro.

 

José morreu ali, sem saber ao certo se havia reencontrado sua amada ou se havia novamente olhado para trás, perdendo-a para sempre, desta vez pelas mãos das prostitutas. Seu sangue escorreu pela sarjeta e seus suspiros apagaram-se sob as estrelas.   

 

 



Escrito por ozeca às 11h05
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O QUE VOCE FAZ PARA ACABAR COM O ANALFABETISMO NO BRASIL?

 

Não é nada fácil falar sobre esse tema, já que as ações para acabar com o analfabetismo no Brasil sempre foram bastante controvertidas. Desde o antigo Mobral, o que se vê são resultados pífios, com grande número de participantes que mal sabe escrever seus nomes. Claro que alguns casos foram exceção, mas não se trata de exceções quando se quer erradicar algum mal.

O que vemos por aí são pessoas saídas de cursos regulares, com enormes dificuldades de leitura e compreensão, além da quase impossibilidade de escrever corretamente. São praticamente analfabetos que sabem desenhar seus nomes.

A impressão é que os governantes não dão a menor importância para a qualidade do ensino e muito menos para a elevação do aprendizado, talvez preferindo manter grande parte da população na ignorância. Essa “massa” de pessoas é mais fácil de ser manipulada por discursos vazios, muitas vezes carregados de palavras de efeito, que nem mesmo os próprios políticos que as profere consegue entender.

Eu, desde criança privilegiada, costumava ensinar os coleguinhas, nas famosas brincadeiras de “escolinha”, onde levava muito a sério o “status” de professor. Depois parti para as empregadas de casa, geralmente analfabetas (pelo menos naquela época). Orgulho-me de ter ensinado várias delas a ler e a escrever, além de instigá-las à leitura. Mesmo que fosse de revistas femininas. Duas delas, com a inteligência acima da média, interessaram-se por tudo o que aprenderam e acabaram seguindo estudos. Consegui matriculá-las em escolas onde terminaram o antigo curso primário, obtendo o certificado de conclusão que as habilitou a matricular-se no antigo ginasial. E dali, seguiram adiante.

Uma das últimas empregadas que ensinei, trabalhou em casa durante muitos anos e nunca aceitou freqüentar uma escola regular. Eu já morava sozinho nessa época e, no meu apartamento, havia dependências de empregada, que foram ocupadas por ela. Foi a primeira vez que ela teve um quarto e um banheiro só para ela. Quando chegou em casa, vinda diretamente do sertão ao norte de Minas Gerais. Não tinha dentes, não sabia arrumar-se e comia com as mãos, sentada no chão. Todos foram contra a sua contratação, mas alguma coisa tocou meu coração e eu a mantive em casa, a duras penas. Era dificílimo tratar com ela, que mais parecia um bicho do mato. Sua vida sempre foi marcada pelo sofrimento e pela falta de praticamente tudo, inclusive carinho. Eu a ensinei a sentar-se à mesa, a comer com garfo e faca e até mesmo a cuidar da sua higiene pessoal. Levei-a ao dentista e ela ganhou duas dentaduras que lhe trouxeram um lindo e orgulhoso sorriso ao rosto. Levei-a a uma cabeleireira que cortou e tratou seus cabelos e, finalmente, até suas mãos e pés. Enfim, ela foi se transformando e acabou desabrochando uma bela mulher. Enquanto isso, foi aprendendo também como cuidar de uma casa e de uma cozinha. Tornou-se excelente dona de casa e foi, sem sombra de duvida, a melhor cozinheira que já tive.

Em pouco tempo estávamos em aula. Ela não sabia manejar um simples lápis, mas aprendia com facilidade. Em poucos meses aprendeu a ler e a escrever bastante satisfatoriamente. Também fazia contas como ninguém, sem maquina de calcular. Cheguei a matriculá-la em escolas regulares por três vezes. Em todas, ela abandonou a classe depois de três ou quatro aulas. Mas comigo ela se soltava e aprendia.

Após um ano, ela não só tinha adquirido uma bela aparência, sempre bem vestida e muito sociável, como havia conquistado todas as pessoas que freqüentavam a minha casa. Era alegre e carismática e tornou-se responsável por tudo, inclusive pelas compras e manutenção geral. Eu não me preocupava com mais nada. Até o cardápio ficou por conta dela. Comprou um caderno onde anotava receitas, com letra bonita e sem erros. Tinha também uma lista com todos os nomes e telefones dos profissionais prestadores de serviços de manutenção e atendia ao telefone como se fosse minha secretária.

Conheceu a Igreja Universal e tornou-se evangélica. Pediu minha ajuda para entender os textos da bíblia e, com o tempo, foi se tornando importante no rebanho, passando a obreira e outras classificações da igreja, que agora não me vêm à cabeça. Chegava a fazer leituras na igreja e a evangelizar outros “irmãos”, sendo uma pessoa de destaque entre as demais.

Quando saí de São Paulo, ambos sofremos muito, pois havíamos construído uma amizade tão grande que essa separação forçada foi muito difícil para ambos. Mas ela seguiu seus caminhos e eu os meus. Guardo dela apenas boas recordações, muita saudade e o carinho mútuo que sempre tivemos, um pelo outro. Além do orgulho em acompanhar a transformação, relativamente rápida de um bicho do mato em uma mulher bonita e elegante. Tive a sorte e o prazer de sentir o próprio “efeito Pigmalião”.

No mais, sempre estimulei muitas pessoas à leitura. E trago nas costas um número considerável de pessoas que passaram a ler e a interessar-se por livros, jornais e revistas graças ao meu incentivo e a certa forçada de barra. Eu não meço esforços. Empresto e até dou livros para as pessoas lerem. Mostro artigos interessantes em jornais ou revistas, instigando sua curiosidade e seu interesse.

Agora mesmo existe um rapaz que trabalha comigo, que é uma pessoa de origem humilde e trabalha com manutenção nas áreas de eletricidade e pequenas obras e reparos em casas e escritórios. Ele tem se mostrado interessado em aprender mais e eu tenho-o incentivado à leitura de livros e revistas. Ele já leu dois livros (os primeiros de sua vida) e levou outro ainda ontem. Está entusiasmado e comenta comigo o que entendeu de suas leituras. Também me pediu que o ensinasse a “mexer no computador” e eu, que não sou nenhum expert no assunto, estou ensinando o que posso. Já sabe algumas coisas e tem até uma conta no Orkut. Confesso que eu mesmo não entendo muito bem o funcionamento do Orkut, mas ele está se virando e trocando idéias com outros amigos.

Ele não é exatamente um caso de analfabetismo, mas quase. Lia com dificuldade e não tinha o hábito da leitura. Para anotar um pequeno orçamento, escrevia errado e até errava nas contas. Agora, após alguns exercícios de caligrafia e leitura, tem se esmerado em suas anotações, com uma letra mais legível e menos erros ortográficos. Claro que ainda erra bastante, mas aos poucos estará errando menos e sentindo-se mais integrado à sociedade.

Sei que essas ações não chegam nem perto do ato de “acabar com o analfabetismo no Brasil”, mas são ações eficazes que reduzem, por mínimo que seja, o número de analfabetos neste país onde, basta saber desenhar o próprio nome para ser considerado oficialmente alfabetizado. E todos sabemos que não é exatamente assim.

 



Escrito por ozeca às 15h04
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DOIS ASSUNTOS MUITO IMPORTANTES!

 

1. BLOGAGEM COLETIVA 18/04/08

O QUE VOCÊ FAZ PARA ACABAR COM O ANALFABETISMO NO BRASIL?

 

No dia 18 de abril acontecerá nova blogagem coletiva, desta vez por iniciativa da Meiroca , do Pensieri e Parole e da Geórgia , do Saia Justa . O assunto tratado será a respeito do que cada um, individualmente, faz para acabar com o analfabetismo no Brasil.

A data escolhida coincide com o Dia Nacional do Livro Infantil, que acontece na data em que se comemora o aniversário de nascimento de Monteiro Lobato, autor multidisciplinar que dispensa apresentações.

Eu vou participar. Se você quiser participar também, faça um post convidando seus amigos e avise a  Meire, ou a Geórgia. Coloque na barra lateral um dos selinhos que estão nesta página

http://meiroca.com/2008/03/25/o-que-voce-faz-para-acabar-com-o-analfabetismo-no-brasil/#comments .

E no dia 18 de abril, escreva sobre o tema.

Eu só nunca sei o que fazer com os tais selinhos. Mas juro que sempre tento!

 

 

2. CAMPANHA ENVIE UM POSTAL PARA MIM

 

A campanha do POSTAL PARA UM CARA DE PAU está indo de vento em popa. Tenho recebido dezenas de e-mails pedindo endereço e logo começarei a recebê-los, com certeza. O que tem atrapalhado um pouco é essa nova greve dos funcionários dos Correios. Se quiser participar, ainda é tempo. Leia o post do dia 30/03/2008, envie-me um e-mail e pronto. Se quiser que eu também lhe envie um postal (enviarei com o maior prazer), envie-me no e-mail o seu endereço; se não, basta pedir o meu.

Algumas pessoas questionam, ou sugerem uma espécie de postais virtuais. Todas as opiniões são válidas e bem vindas. Mas o negócio é o seguinte: estou tentando resgatar o prazer de receber correspondência pelas mãos do carteiro. E ao mesmo tempo, formar uma coleção de "cartões postais dos amigos virtuais". Outra hora escreverei sobre esse novo e maravilhoso tipo de amizade.

Os mais novos talvez não tenham sentido, mas aqueles que têm mais de trinta, sabem muito bem o prazer de sentir aquele friozinho na barriga quando o carteiro chega com uma porção de envelopes, que podem conter coisas deliciosas. Junto com os envelopes, dentro ou não, podem chegar postais com fotos lindas de outros lugares, escritos obrigatoriamente à mão, com a caligrafia e a energia da pessoa que enviou. E a própria escolha do postal, além do "trabalho" de levá-lo à agência dos Correios para o envio, e a própria preocupação em redigir um texto, revela muito sobre sentimentos, cuidados, carinhos.

E depois, eu ainda não sei como, mas certamente não faltarão "anjos" dispostos a ajudar-me, encontraremos um jeito de disponibilizar essa coleção para todos os interessados. Claro que os endereços permanecerão sob sigilo. Mas os postais merecem ser compartilhados, não acha?

 

 

 



Escrito por ozeca às 12h34
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Parece que a brincadeira está dando certo. A resposta está sendo deliciosamente positiva, então, vou deixar este post por mais uns dias, com o seguinte acréscimo: se você quiser receber um postal meu, envie o seu endereço. Para mim, será extremamente prazeroso enviar um lindo postal de uma das mais belas cidades do mundo.

 

Envie-me um Cartão Postal

 

(campanha lançada por um cara de pau absolutamente descarado)

 

Existem coleções de todos os tipos, formas, tamanhos e cores. As mais impensáveis e as mais comuns. Algumas chegam a parecerem banais. Menos para o colecionador, claro.

 

Eu já colecionei muita coisa, principalmente na adolescência. Qualquer coisa era boa para virar coleção. Atualmente, coleciono apenas cartões postais. Tenho alguns belíssimos, de várias partes do mundo e, claro, de quase todo o Brasil.

 

Lendo uma chamada da Meiroca, em seu Pensieri e Parole, fiquei com vontade de lançar aqui a campanha: Envie-me um Cartão Postal. Assim eu começarei uma nova coleção, de postais dos amigos da blogosfera.

 

E com essa coleção, me sentirei ainda mais próximo de pessoas que, independente de estarem do outro lado da telinha, muitas vezes parecem ainda mais próximos de mim do que pessoas que vejo sempre, posso tocar, ouvir.

 

A Meire até sugeriu que eu os publicasse, mas infelizmente não disponho do equipamento, nem dos conhecimentos necessários para isso. Acredito que precisaria fotografá-los (não tenho máquina, nem celular) ou escaneá-los (não possuo um scaner). Se algum anjo quiser ensinar-me a inserir as minhas próprias imagens (neste caso, os postais) no computador, ficarei igualmente agradecido, já que sou um confesso analfabético em informática.

 

 

Se você quiser participar dessa campanha, envie-me um e-mail (ozeca@bol.com.br) para que eu lhe passe o meu endereço. E se manifestar o desejo de também receber um postal desta minha cidade encantada, informe o seu endereço que eu o enviarei com o maior prazer.

 

Se gostar da idéia e resolver lançar a campanha em seu blog, não precisa fazer como eu, que pedi autorização à Meire, pois desde já tem a minha; claro que citando a fonte – risos – quem sabe, assim, eu aumente a quantidade de postais recebidos...

 

Estou aguardando, sem nem um pingo de vergonha na cara... rs.  

 



Escrito por ozeca às 11h10
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Em fevereiro de 2005, publiquei este conto no antigo blog Janelas Abertas. Gosto bastante dele, ando sofrendo da síndrome da tela limpa (falta de inspiração) e, por isso, resolvi republicá-lo. 

 

O surgimento de um deus

 

 

O samba animava o povo que dançava na avenida, enquanto a escola, com suas fantasias luxuriosas, evoluía qual uma serpente multicolorida. Carros alegóricos mostravam corpos femininos e masculinos em toda sua exuberância, tendo como tentativa de esconder (ou seria realçar?) mínimos detalhes íntimos; pequenas alegorias rebuscadas em pedrarias e plumas. Nos rostos, sorrisos plastificados mostrando pérolas clareando as bocas, e olhos brilhantes de onde partiam raios lúbricos em todas as direções, tentando atingir o coração mais próximo. Sob aquelas fantasias desenvolviam-se sonhos, alguns impossíveis, outros irrealizáveis, mas alguns possíveis. Sob a garoa fina que refrescava os corpos em movimento, a energia emanada desses milhares de sonhos inebriava e irmanava a todos. O conjunto, representante de uma festa pagã, parecia-se mais com um ritual religioso, repleto de anjos de todos os matizes, dispostos a trazer alegria, descontração, felicidade. Durante o desfile, ao som inconfundível da bateria, colorida pelos puxadores de som, todos eram apenas almas puras e bondosas, misturando à sua própria, a felicidade espalhada por todos os lados.

Apenas um anjo não compareceu naquela noite.

Ele vestiu-se de plumas, realçou o corpo esculpido durante todo o ano na academia, evidenciou com um minúsculo tapa sexo o membro do qual sempre se orgulhara e enfeitou as costas com longas asas de penas de pavões albinos. Sobre a cabeça, realçando o rosto de perfil grego e másculo, uma armação equilibrava uma espécie de capacete grego, enfeitado por plumas douradas, aumentando seu um metro e oitenta e dois de altura. Olhou-se ao espelho e gostou do que viu. A imagem refletida mostrava um homem em todo o esplendor dos quarenta anos, transformado num belíssimo anjo guerreiro, cujas coxas, definidas em infindáveis exercícios, suportavam um corpo escultural. Sorriu satisfeito. Mas seus olhos não corresponderam àquele sorriso que, logo, se apagou.

Sentiu certa lassidão e tentou explica-la pela expectativa que acomete a todos antes do desfile. Recostou-se num sofá confortável, esticou as pernas e deixou a cabeça pender para trás, tomando cuidado para não estragar as plumas. Entrecerrou os olhos para um minuto de descanso, ainda a tempo de perceber a magnífica figura, ainda mais bela que ele, se aproximando lentamente, como se viesse flutuando.

A fantasia que cobria o corpo hercúleo do novo personagem ganhava em riqueza, em colorido e em exuberância. Sua disposição sobre o corpo evidenciava toda a musculatura, transformando-o num ser totalmente erotógeno, provocando delírios sensuais. Desejou-o com toda sua alma, cerrou os olhos e entreabriu os lábios como se aguardasse um beijo de amor.

Em segundos, o Eros recém aparecido foi tomando-o em seus braços, fazendo com que ele sentisse todo o seu corpo sendo envolvido e amalgamado ao corpo ansiado. Sentiu um leve sopro sobre seus lábios entreabertos que se foram umedecendo à medida que se uniam ao outro em um beijo doce e ardente. Totalmente abandonado àquela paixão inexplicável, já nem se lembrava que lá fora era carnaval e que outras pessoas o aguardavam para compor um carro alegórico.

Sentia-se cada vez mais relaxado, embora todos os seus sentidos estivessem em estado de alerta para saborear cada centímetro daquela pele que se colava à sua. Pouco a pouco, ambos os corpos foram se fundindo, as fantasias se transformando em uma e os corpos magníficos transformando-os em um novo deus capaz de provocar iras e ciúmes no Olimpo.

E assim, aquela figura divina foi se elevando no ar e, completamente orgulhosa do novo ser criado pelo amor, saiu flutuando pela pequena janela. Pairou alguns segundos sobre a escola que ainda evoluía na avenida para, em seguida, tomar o rumo das estrelas. O samba que animava os foliões foi, pouco a pouco, sendo substituído pela música dos astros que iluminam o infinito...

 



Escrito por ozeca às 11h43
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Continuando minhas histórias que gostam de falar de mulheres, esta é uma que mostra uma mulher muito decidida e segura de sí...

SLAVE

 

Maíra sentia um vazio no peito. Estava deprimida, sozinha, sem objetivos claros. Precisava fazer algo para mudar aquilo, pois sempre fora atirada, decidida. Acessou a internet e entrou num site de encontros, onde, após três ou quatro tentativas, entabulou um papo legal com um cara que se denominava Slave. E Slave não queria sexo virtual; queria encontrar pessoalmente com ela para travarem conhecimento e, se rolasse algo, aí veriam. Marcaram para dali a duas noites, num bar conhecido. Ela se preparou com esmero, caprichou na maquiagem e vestiu o vestido vermelho, que realçava seu corpo e delineava suas formas. A conversa rolou até tarde e Slave, além de bonito, era másculo, inteligente e cativante. Lá pelas tantas ela se rendeu aos seus encantos e aceitou o convite para passar a noite no apartamento dele.

 

Era um velho prédio no centro da cidade, que mantinha certa classe e dava um ar de respeitabilidade aos moradores. O apartamento era grande, embora imperasse um gosto kitsch na decoração, o que ela creditou ao fato de ele morar sozinho. As cortinas eram panos escuros pendurados em varões, que se arrastavam pelo chão. Os móveis, poucos, forrados com tecidos escuros, predominando vinhos e terras. Certa desorganização mostrava que ele não se preocupava muito em guardar coisas; livros espalhados, roupas sobre cadeiras, papéis empilhados e um objeto meio insólito sobre a mesa - um chicote daqueles  sadomasoquistas. Numa das paredes, algumas espadas, adagas e punhais substituíam quadros.

 

Ele serviu bebidas e ajoelhou-se à frente dela, abaixando-se até seus pés, onde se pos a lamber seus sapatos, antes de tirá-los e jogá-los num canto qualquer. Sem levantar-se, pediu que ela o empurrasse com os pés, o que o fez perder o equilíbrio e cair de costas. Ainda no chão, pediu que Maíra o pisasse e, se quisesse, o chutasse. Ela estava apavorada com o que percebia nesse comportamento dele, mas foi fazendo e, para sua surpresa, não deixando de sentir certo prazer em submetê-lo. Foi se sentindo excitada com a novidade e, sentando-se sobre ele, tirou-lhe a camisa, mordeu-lhe os mamilos, com certo prazer. Depois, sentindo-o excitado sob ela, foi tirando-lhe a roupa até deixá-lo deitado no chão, completamente nu. Pegou o chicote e começou a dar-lhe algumas chicotadas, a princípio sem força, mas à medida que seu prazer aumentava, aumentava também a intensidade das chibatadas. Visava o peito, depois as costas, as nádegas e coxas.  Enquanto o flagelava, começou a tirar o vestido vermelho, depois o sutiã e a calcinha, ficando tão nua quanto ele, que lhe disse ter, numa das gavetas, um par de algemas. Ela pegou as algemas e fez com que ele rastejasse até o quarto, dando-lhe, pelo caminho, novas e fortes chibatadas. Lá, havia sobre a cama uma coleira que, imediatamente foi colocada no pescoço dele. Algemou as mãos de Slave nos pés da cama, prendendo também a corrente da coleira e colocou um lenço dentro de sua boca, deixando-o totalmente à sua disposição. Usou e abusou do corpo dele tanto quanto quis, dando-lhe tapas no rosto, mordendo seus mamilos, seus lábios e outras partes, levando-o ao delírio. Com o corpo coberto de suor, foi sentando-se sobre o sexo em riste do rapaz e cavalgou-o vorazmente, até fazê-lo gozar entre gritos, tapas e chicotadas. Ela também gozou, tão abundante e ardentemente, como nunca havia conseguido antes. Deixou-se permanecer sentada sobre ele, sugando o resto de suas energias, deixando-o amolecer e afrouxar-se dentro dela. Soltou-se, foi até o banheiro, ligou o chuveiro e lavou-se toda. Enxugou-se, ajeitou os cabelos e voltou para a sala, onde jazia, no chão, o vestido vermelho. Vestiu-o sobre o corpo nu, calçou os sapatos e saiu, deixando de lembrança ao rapaz algemado no quarto, a calcinha e o sutiã. Antes de fechar a porta do apartamento ouviu-o chamando-a. A voz era abafada, incerta, insegura...

Desceu, tomou um táxi e foi para casa, onde dormiu o resto da noite como há muito não conseguia.

 



Escrito por ozeca às 14h29
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MAS QUE FARRA, HEM?!

 

 

 

Bem que eu tenho tentado ficar fora dos comentários sobre política, religião e relacionamentos, mas às vezes, isso é praticamente impossível. Hoje pela manhã, em conversa com alguns amigos, enquanto tomávamos umas caipirinhas nas quais, sem falsa modéstia, sou mestre, surgiu o assunto do momento: o uso de cartões corporativos pelo governo e seus funcionários. Tá certo! É assunto que surge mesmo. Mas alguém defender, com tanta segurança essa farra que estão fazendo com o nosso dinheiro, me deixa furioso. E quase perdi o amigo.

Desde o início do século, os cartões corporativos passaram a ser usados pelos funcionários de alto escalão do governo. Inicialmente apenas ministros e seus assessores poderiam utilizá-los para despesas imprevistas, especialmente durante viagens, desde que essas despesas tivessem relação com o exercício do cargo. No caso das repartições públicas, serviriam para dar maior flexibilidade nas compras que não precisassem de licitação. Como sempre acontece no Brasil, a intenção inicial era excelente, mas com o tempo, esses cartões se transformaram na nova mamata nacional. Os ministros passaram a utilizar os cartões para o pagamento de restaurantes caríssimos, bares noturnos, supermercados, artigos de decoração, materiais de construção, entre outros. Até a filha rejeitada do senhor presidente foi beneficiada pelo cartão de um segurança, o que acabou originando uma “reclamação” do governo em nome da segurança nacional (?).

Hoje a farra está disseminada não apenas nos ministérios, mas em todas as categorias, desde policiais federais até servidores do IBGE, passando pelos antropólogos da Funai.

Não existem critérios conhecidos para a distribuição desses cartões, o que facilita o uso dos mesmos pelos vários escalões do poder. E como inexistem tetos, os valores dependem do (bom) senso de cada usuário (?).

Uma das Ministras já pediu demissão do cargo, outros andam sobre a corda bamba e muitos usuários estão com as barbas de molho. O Lulalau já esbravejou, disse que discutir o uso dos cartões dos seus seguranças envolvia a própria segurança nacional e outras patacoadas mais. Só não pode dizer que não sabia de nada, não tinha visto nem ouvido nada, como é hábito.

A Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef mandou a Controladoria Geral da União investigar os cartões sob suspeita, numa tentativa de colocar um cadeado na porta arrombada,  mas até agora nada de novo aconteceu. Parece que, com o passar dos dias, o caso vai esfriando e, logo, logo, será mais uma pizza saindo dos pródigos fornos de Brasília.

Existe uma tentativa de investigar através da CPI mista (câmara e senado), que está sendo esvaziada pela folgada maioria de governistas que a compõem e cujo relator é um deputado do PT-RJ (Luiz Sérgio). Já conseguiram irritar a minoria da oposição, que ameaça deixar a CPI como forma de repúdio às manobras do governo para esvaziar e escamotear as investigações.

O governo alega que o uso dos cartões aumenta a transparência dos gastos. Mas não é bem assim, já que grande parte dos valores que aparecem nas faturas se refere a saques em dinheiro. Dos elevadíssimos valores até agora examinados, apenas uns 25% mostraram transparência. E provocaram a queda de uma ministra e o recuo para trás dos tapumes dos demais. Setenta e cinco por cento dos gastos continua numa vasta área nebulosa e cinzenta, aguardando um exame mais rigoroso, cujos responsáveis parece que ninguém sabe quem é. A maior parte dessa dinheirama refere-se a saques em dinheiro vivo nos caixas eletrônicos. Quem sacou? O que foi pago com esse dinheiro? Por quê? Aí, sim! Ninguém sabe, ninguém viu nem ouviu nada...

E o meu quase ex-amigo vem dizer que é normal? Transparente? Dizendo que na época do Fernando Henrique não existia essa transparência?! Não se trata nem mesmo de defender governos anteriores, mas acho absurdo esse discurso tipicamente petista de jogar todo o lixo descoberto sob os tapetes hoje, para o período do governante anterior. Acho que, uma vez descoberto o lixo, vamos cair em cima, fazer um mutirão e limpar de vez. E criar formas de evitar que outros venham novamente jogar lixo para baixo do tapete.

Para que serve o barbudo de plantão se vangloriar de ser o único governante a liquidar com a dívida externa? Serve para tampar o sol com a peneira, pois nem essa afirmação é totalmente verdadeira. E se fosse, não seria mais que a sua obrigação. É para isso que pagamos seu milionário salário e os dos seus apaniguados. E certamente não deveríamos arcar com os custos de bares, restaurantes, bebidas, peças de decoração, material de construção e tantos outros itens mais. Será que um dia teremos um pouco de decoro nos palácios?

 


 

Recebí este presentinho da Mary e, como não sei exatamente o que fazer, mas me sentí honrado com a indicação,

trouxe para cá do modo tradidional mesmo: copiando e colando. Se alguém quiser me ensinar, agradeço.

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Escrito por ozeca às 17h25
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Ainda no embalo da blogagem coletiva do dia 08 de março, quero deixar esta homenagem a todas as doces marias...

 

 

Doce Maria

 

 

Doce Maria! De todos os Joões, Josés, Antonios... de quem quiser! A todos traz compensações, prazeres desconhecidos, consolo, relaxamento. E lhes dispensa um sorriso ingente, ingênuo. Todos se apegam a ela, que não se afeiçoa a ninguém. Ela não sabe de onde veio. Desde onde se lembra, sempre esteve ali, naquele mesmo lugar. E sempre atende a clientela sem reclamar, deixando a parte do patrão sobre o balcão, assim que o cliente sai e ela termina de limpar-se na bacia de ágata azul. Borrifa um pouco de perfume no pescoço, passa um pente pelos longos e negros cabelos e desce, à espera do próximo cliente.

Suas colegas gostam dela, que nos momentos de lazer lhes conta lindas histórias de fadas e de sonhos estranhos. Nem ela sabe de onde tira essas histórias. Talvez venham direto do coração, talvez sejam ditadas por um anjo invisível.

Numa tarde de sábado, aproxima-se um jovem estreito e imberbe, a quem Maria dedica um largo sorriso. Sem palavras, ela o toma pela mão e sobem para o quartinho rosa acanhado. Do alto da escada, como se ouvisse um aviso, vira-se e olha para o patrão que lê um jornal ultrapassado. Sem retorno, volta-se para o quarto e encaminha o amante mudo e desprovido de sorrisos.

Na rua, um sol cambiante tenta esconder-se, em sinal de desesperança a todas as ilusões. Um cão late e roda atrás do próprio rabo. Outros sons, não se ouvem.

Só uma porta batendo e, dois minutos após, um vulto cosendo-se contra as paredes, desaparecendo no lusco-fusco, sem ninguém mais prestar atenção.

O patrão terminou a leitura do jornal velho e preparou-se para urinar. Mas antes resolveu subir ao quarto de Maria, pois o cliente já devia ter saído há alguns minutos e ela não aparecera. Precavido, chamou Joana, sua mais antiga companheira. Subiram as escadas que rangiam a cada passo, como se o caminho fosse longo e difícil. Finalmente, no alto, bateram à porta demoradamente, e ninguém abriu.

Aquele silêncio intrigava, abria caminho à desconfiança. Afinal, em tantos anos, Maria nunca deixara de descer logo após a saída do cliente...

Com um tranco a porta cedeu e o patrão, meio desequilibrado, lançou-se ao centro do pequeno aposento, quase se chocando contra a cama onde estava Maria.

Joana levou a mão à boca, os olhos enormes e negros se abriram mais e arrepiou-se inteira.

Uma gota de saliva brilhava nos lábios de Maria, que exibiam um sorriso sereno. O dente de ouro do patrão brilhou revelando uma falha em sua boca, enquanto suas mãos nervosas tocavam o corpo da protegida à procura de vestígios de vida.

Ela respirava, sim. Suavemente, num sono tranqüilo, o corpo relaxado, um sorriso de consolo. 

Nessa noite todos fizeram silêncio, deixando-a dormir. Ninguém teve coragem de interromper seus sonhos, certamente repletos de fadas e de seres encantados. Todos entenderam que ela havia recebido a visita do seu anjo.

 

(Publicado em 28/01/05)



Escrito por ozeca às 14h03
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BLOGAGEM COLETIVA NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

 

Atendendo à convocação feita pela Luma, cujos textos costumo acompanhar incógnito, mas decidido a não deixar passar em branco esta importantíssima data, estou dando minha colaboração com algumas considerações sobre os efeitos das guerras e dos conflitos armados sobre as mulheres. Sei que outros blogueiros falarão sobre qualidades, virtudes, problemas, e um sem número de coisas relativas às mulheres. Talvez alguns ainda se lembrem dos flagelos sofridos por elas durante as guerras, os conflitos, as revoluções. Enfim, esta é a minha colaboração.

A Luma também escreve em Amigos da Blogosfera, onde deixou um texto bastante interessante sobre a valorização da mulher.  

    

 


 

A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM TEMPOS DE GUERRA

 

 

No decorrer do último século e início deste, percebemos o aumento de atos violentos no mundo todo. Um dos mais violentos atos que existe, desde tempos imemoriais, é a guerra. E sabemos que existem diversas guerras, conflitos, revoluções, guerrilhas ocorrendo neste momento, ao redor do mundo. Talvez tenhamos mais consciência desse estado de violência devido à rapidez das comunicações, que trazem qualquer conflito na hora em que está ocorrendo, para dentro dos nossos lares. Lembremos que, nas últimas duas décadas, temos acompanhado conflitos em lugares como Sudão, Serra Leoa, Bósnia, Afeganistão, Iraque, Índia, Paquistão, Israel, Palestina, Líbano, Bálcãs, Chechenia, Timor Leste, Libéria, Nepal, Colômbia e, não menos violento, no próprio Brasil, com os enfrentamentos entre policiais e traficantes que acompanhamos pela TV, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro.

Esses conflitos provocam o aumento do sofrimento dos povos envolvidos, com grande ênfase na situação das mulheres, sujeitas a todo tipo de violência.

Alem dos riscos específicos das zonas de conflitos armados, as mulheres (de todas as idades) estão sujeitas a estupros, gravidez forçada e outros atos abomináveis.

Em vários paises ainda sofrem também a imposição cultural de situações desvantajosas e discriminatórias. Em qualquer parte do mundo sob conflito, os fatores que dificultam as vidas das mulheres são os mesmos: risco de violência, separação de membros da família, educação ou oportunidades de trabalho deficientes, acesso precário aos serviços de saúde.

A ainda recente velocidade de informação e maior abertura da mídia evidenciaram a ocorrência generalizada de estupros e das chamadas limpezas étnicas, assuntos antigamente considerados tabus, atraindo muito mais a nossa atenção. Porém, esse tipo de violência acontece desde que o ser humano começou a viver em sociedade, onde se originaram as disputas por poder. Hoje, tribunais penais internacionais consideram o estupro como um crime de guerra e contra a humanidade.

A recente ascensão de mulheres a postos importantes constitui um fio de esperança de melhoras para as condições do sexo feminino. E servem de inspiração para que outras mulheres se envolvam em mais ações políticas e humanitárias.

Quanto à proteção das mulheres, o dever e a responsabilidade de proteger todos os civis são primordialmente do Estado e das Autoridades. Todos os países que aderiram a tratados de leis internacionais têm o dever de implantar e implementar suas regras e, em casos da ocorrência de crimes, levar os responsáveis à Justiça.

Se as mulheres são obrigadas a carregar o fardo de tantos dos trágicos efeitos dos conflitos armados, não é por causa das falhas nas regras que as protegem, mas sim porque essas regras frequentemente não são seguidas.

A maioria dos conflitos armados da atualidade acontece em regiões de fronteira, com resultados devastadores para os civis, especialmente para as mulheres, mais expostas devido à proximidade com as lutas. Elas são assediadas, intimidadas e atacadas em suas casas. Acabam obrigadas a restringir sua liberdade de circulação, limitando o acesso à água, comida e assistência médica, assim como suas habilidades de sustentar as famílias, trocar informações e buscar apoio familiar e social. A ausência do parceiro, muitas vezes envolvidos ou desaparecidos no próprio conflito, aumenta a insegurança e os riscos para as mulheres que lideram famílias e para suas crianças. Além disso, as mulheres acabam assumindo sozinhas o fardo de sustentar e cuidar da família. 

 

Este texto foi escrito com o intuito de provocar reflexão a respeito do assunto e não apontar soluções. Existem organismos internacionais envolvidos na busca de soluções, tanto para os problemas aquí levantados, quanto para a PAZ em geral. É um trabalho árduo, delicado e, infelizmente, sujeito a todo tipo de interesses e burocracia. E é importante ainda, lembrar que existem cada vez mais mulheres dedicando suas vidas, ou mesmo parte delas nessa busca.

 



Escrito por ozeca às 15h30
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Em janeiro de 2005, dediquei este conto a todos os amigos virtuais que faziam parte de minha vida desde o surgimento do Janelas Abertas, meu antigo blog. Hoje, republico-o homenageando os mesmos amigos e aos que me acompanham desde então.

 

O ANJO DA VIDA

 

 

Estava deitado num quarto solitário, banhado em suor. Diante de mim desfilavam todas as histórias vividas, felizes ou infelizes. O mais impressionante era que todos os personagens possuíam as mesmas feições, as mesmas características, as mesmas marcas. Em minha solidão e desespero, constatava que sem aprender nada, me envolvia com pessoas iguais às anteriores. E percebia, entre lágrimas doloridas, que àquela altura, não cabiam arrependimentos. A vida estava presa a mim por um tênue fio, fácil de romper-se a qualquer brisa. A solidão machucava minha alma. Ninguém ao meu lado, disposto a segurar minha mão naquele momento difícil. Nenhum olhar bondoso pousado, em meus olhos úmidos, com compaixão; uma mão que secasse as lágrimas que deixavam seu rastro em meu rosto pálido e sofrido. Sentia-me só e, tomando consciência disso, uma calma submissa ia se apossando do meu coração atormentado, dando-lhe alento naquele momento especial. Eu sabia claramente o que me aguardava. Sabia, sem nenhuma dúvida, qual era o momento pelo qual passava. E o medo inicial, transformado em dor e solidão, sofreu nova alteração, desta vez um sentimento de resignada aceitação.

 

Uma leve brisa entrou pela pequena janela fazendo as cortinas se agitarem. A princípio nada vi, sentindo apenas o frescor da aragem que aplacava um pouco a minha febre. Meus olhos, ainda úmidos, já estavam quase fechados, sem forças para olharem em volta, observarem o quarto e os poucos móveis que o compunham. As fortes luzes eternas da UTI os ofuscavam.

 

Pouco a pouco, meu corpo frágil começou a sentir uma presença diferente no acanhado quarto que lhe cabia em seus últimos momentos. Abrindo com esforço os olhos e passeando-os em volta, senti, a princípio, alguma dificuldade em distinguir alguém mais ao meu lado. Pouco a pouco, uma figura imponente foi tomando forma. Era jovem e de grande beleza. Suas vestes eram claras e leves e, formando uma figura extraordinária; enorme par de asas saía de suas costas, agitando-se levemente vez ou outra. Não ouvia sua voz, mas seus olhos meigos e carinhosos, fixos nos meus, transmitiam coragem, força, enorme bem estar. Minhas dores físicas haviam sumido e as dores da alma estavam aplacadas, embora fosse reconhecendo naquele belo rosto as mesmas feições de todas as pessoas que passaram pela minha vida.

A cada quase imperceptível movimento de suas enormes asas, leve brisa aplacava o calor que antes me banhava em suor. Suas mãos, agitando-se suavemente ao meu redor, sem tocar meu corpo, traziam alívio às dores que me corroíam até tão poucos minutos. E a cada movimento seu, doce e suave perfume difundia-se ao meu redor, dando-me incompreensível tranqüilidade. Em sua companhia a recente solidão parecia coisa de antigos pesadelos. Uma tranqüilidade incomum foi tomando conta de mim e me sentia cada vez mais disposto a levantar-me daquela cama e segui-lo para onde pretendesse levar-me.

 

Lentamente ele foi baixando seu rosto em direção ao meu, seus lábios rubros cada vez mais próximos. Não sabia se iria sussurrar-me algo ou presentear-me com um beijo. Quando seus lábios tocaram os meus, uma breve sensação de frio percorreu meu corpo como um arrepio. Seus braços enlaçaram-me e, com enorme facilidade, ergueram-me daquele leito de passagem. Senti-me flutuando, porém seguro pelos seus braços que transmitiam proteção e seu beijo terno, que transmitia amor. Arrisquei um olhar para baixo e vi, quase assustado, o meu próprio corpo marcado pelas doenças, inerte naquela cama solitária. Ainda sem entender muito bem o que acontecia, tomei consciência do meu corpo, enlaçado pelos firmes braços do anjo, revigorado e em todo o esplendor de sua juventude. Meus cabelos esvoaçavam suaves, minha pele tinha a textura de um pêssego e meu corpo perfeito, pairava livre, pelo espaço. O único elo com aquele passado tão recente era o anjo que, pouco a pouco foi deixando que meu corpo se soltasse e minha boca se abrisse em um sorriso feliz, talvez o primeiro dos últimos anos.

 

Ele olhou-me profundamente, sorriu pérolas e fez um suave gesto, convidando-me a segui-lo pelo espaço cravejado de estrelas. Sentia-me tão seguro que nem me passou pela cabeça a menor dúvida. Seguiria com ele para qualquer lugar.

 

E seguimos, lado a lado, flutuando pelo espaço enquanto percebia, surpreso, o nascimento de asas em minhas costas.



Escrito por ozeca às 10h27
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